O dia que errei a mão

Obs.: para entender direito este post, antes leia este e todos os comentários.

Outro dia escrevi um post com uma espécie de teste. Pra mim era um convite a reflexão. Ele causou algumas descurtidas no blog e uma moça que parecia me odiar desde a infância encheu os comentários com links feministas, provocações e ironias. Coisas que vocês podem ver por si.

Escrevendo o blog que escrevo, uma coisa que não esperava era ser apontado como machista, elitista e vários outro _istas que vivem por aí.

A moça era chata.

Tão chata eu fiquei incomodado e fui conversar com mais gente sobre o assunto. Procurei alguém que não economizaria sinceridade mas que tinha, digamos, mais equilibrio pra criticar o que escrevi. Segue o que é mais importante:


Flávio Marim: Você entendeu essa moça? Porque pra mim ela só quer brigar.

E: E que o feminismo de verdade luta exatamente pra acabar com essa dicotomia homem x mulher. Aí quando vc propõe o exercício:e  se rolasse a igualdade instantânea? Da exemplos que não são de igualdade na maioria das vezes mas de uma inversão de papéis seguindo o estereótipo machista que o mundo segue hoje

Na verdade seu erro neste post esta em colocar feminismo como uma bipolarização. Eu sei q muita gente faz isso,mulheres inclusive,a tal da Roberta inclusive, mas feminismo não é isso.

E: Sobre a pergunta 5 (homem não querer fazer sexo): foi machista. Muito. Isso acontece. Muito. E não se sabe de nenhuma mulher que tenha estuprado o marido que não quis comparecer. Já o contrário… Eu entendi pq te conheço e ainda assim me incomodou. Imagina quem não te conhece.  😝
Flávio Marim: Ei, não era sobre estupro. Era sobre frustração


E: Pois é. .. mas homens não são compreensivos nesta situação tendem a se comportar de uma maneira horrorosa. Do ponto de vista que você sugere que vai seguir nos dois primeiros parágrafos. … leva ao raciocínio que eu fiz automaticamente. Se vc tivesse escrito: Se frustra? ao invés de “compreensiva?”. A interpretação seria outra. Entendeu?

Flávio Marim: Entendi. Obrigado.


E: Enfim…. concordo que tem ativista  mais preconceituoso que muito Bolsonaro por ai. E tão ou mais cretino, mas acho que nessa vc errou a mão.

Pois é gente. nunca pensei que fosse escrever algo que viesse a ser entendido como um argumento pró-estupro. Pra mim a não-compreensão na hora do namoro forte é resmungar e dormir bravo. Nem passou pela minha cabeça que tem uns caras (e tem mesmo) que estupram suas próprias mulheres.

Meu ponto com esse post era provocar as pessoas a perceberem que talvez estejam se escondendo atrás da sua minoria. Vejo muito ativista que ao invés de buscar igualdade está louco pra passar de oprimido a opressor. O objetivo do post era justamente fazer as pessoas se questionarem se não estão nesse grupo. Se lá no fundo não gostariam de estar acima e não ao lado

Ainda sobre a leitora do blog que me levou a escrever este post. Uma das coisas que ela disse é homem não opina sobre feminismo. Ou concorda, ou se cala.

Sobre isso queria dizer que sobre o que opino ou deixo de opinar é decisão exclusivamente minha e tenho sim algo a dizer sobre isso:

Existem muitos homens que já quebraram paradigmas fortes rumo a uma posição de igualdade. Não botem esses caras, nos quais me incluo, no mesmo balaio de criminosos e malucos que vivem no século XV. Vejo diariamente gente como eu tomar porrada como se fosse boçal/estuprador/misógino por conta de uma frase mal falada. Apontem nossas mancadas com mais clareza e menos ódio, por favor. No fim acho que queremos a mesma coisa.

10 Replies to “O dia que errei a mão”

  1. Ótimo!!! Como mulher não entendi como algo agressivo o último post… Pode ser pq te conheço tbm e entendi o que quis dizer… Mais legal poder colocar mais claramente o que quis dizer de uma forma melhor. Pelo menos assim acredito que não será mais "criticado" de forma tão agressiva! Parabéns pelo post mais uma vez!!!

  2. Flavio, sigo teu blog há bastante tempo, adoro a visão de "pai que cuida". A tabela com a divisão das "horas de atividades para cuidar da criança" foi genial, mostrei pro meu marido e ele também adorou.
    Não achei o último post agressivo e, sinceramente, de forma alguma entendi como alusão ao estupro o teu "compreensiva" (interpretei exatamente como tu disseste: resmungar e dormir bravo. Como acontece quando a mulher não está a fim. Como acontece quando o homem não está a fim. Como acontece na minha casa e acredito que na casa de um monte de gente).
    Sou casada, não tenho filhos. Aqui em casa cada um tem a sua carreira, bem sucedida. E todo mundo cuida da casa, da vida, da família. Já passamos por momentos onde meu marido não trabalhava, eu trazia a grana, ele cuidava da maior parte das tarefas domésticas. O oposto também já rolou. Quando ambos trabalham, ambos cuidam. Agora ele está trabalhando e eu estudando para uma prova importante: continuamos dividindo as tarefas. Faz quem pode, simples assim. E dá super certo.
    Eu acho que a questão do teu post anterior não é se as situações são ideias, bonitas, o "certo indiscutível". Eu acho que elas apenas fazem refletir sobre a realidade. O que cada um fará com os sentimentos que aquelas situações despertam: "Topo o Iraci? Topo! ou Não, não topo" "topo a creche com os 4 educadores?". Será que o ideal é uma igualdade 100%? Estamos preparados para isso? Sim, estamos! Não, quem sabe um dia. Ou não.
    Acho que o que vale mesmo é a reflexão. Nenhum radicalismo, nem favorável, nem contrário.
    Parabéns pelo blog!

  3. Obrigada e desculpa pelo meu sarcasmo e minha ironia terem dado a impressão de ódio. Nunca te odiei e tampouco te odeio.
    Essa pessoa que você conversou me parece ser muito bacana, converse mais com ela sobre essas questões feministas! 😉

  4. Obrigado. Escrevi esse segundo post porque se a informação chegou quadrada* pra 2 pessoas bem informadas, é possivel que tenha chegado assim a centenas. Precisava esclarecer. Obrigado pelo apoio.

    (*) Gostaria de esclarecer que "chegou quadrado" é uma alusão a uma antiga propaganda de cerveja e que não tenho nada contra nenhuma forma geométrica. Obrigado.

  5. Oi Flávio,
    Legal que você escreveu esse post!! É muito bacana quando alguém reflete sobre aquilo que falou/escreveu. Estamos todos num processo para desconstruir o machismo dentro da família e o importante é questionar. Acho que a Internet de modo geral é um espaço ótimo para fazermos essa prática, mesmo que às vezes algumas coisas saiam meio esquisitas.
    Abraços

  6. Oi Flávio,
    Legal que você escreveu esse post!! É muito bacana quando alguém reflete sobre aquilo que falou/escreveu. Estamos todos num processo para desconstruir o machismo dentro da família e o importante é questionar. Acho que a Internet de modo geral é um espaço ótimo para fazermos essa prática, mesmo que às vezes algumas coisas saiam meio esquisitas.
    Abraços

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