E agora… crianças x restaurantes

Seguindo a sequência “grandes tretas da internet envolvendo paternidade”, esta foi a semana de falar sobre não aceitar crianças em restaurantes.
Caso alguém deste universo ainda não saiba da história, Raiza Costa, apresentadora de programas de culinária, causou um barulho desgraçado ao escrever um post dizendo que não vê nada errado em restaurantes proibirem a entrada de crianças menores de 14 anos.

Pronto!

Mil vieram da sua direita dizendo que os restaurantes podiam fazer o que quisessem e 10 mil vieram a sua esquerda indignados com a falta de compreensão aos pequenos.
A coisa por vezes tomou um ar distorcido, teve gente que entendeu que ela sugeria uma proibição geral de jovenzinhos nos aglomeros gastronômicos (que não era o caso). Outros entenderam como discriminação à pessoas, tão grave quanto barrá-las por questão de etnia, gênero ou deficiências físicas.

O raivoso campo da internet distribuiu chapoletadas a vontade em nome do amor e da compreensão(!).

Eu acho que faltou entender uma coisa fundamental: ninguém odeia criança. As pessoas odeiam a bagunça que elas fazem. Aí pensa só: algum chef empreendedor resolve abrir um restaurante romântico. Um bistrô ou qualquer coisa fresca e legal que a gente gosta(va) de ir pra namorar um pouco e ficar sensualmente bêbado.

Entra o casal número 1: 20 e poucos anos, apaixonados, se sentam numa mesa próxima.
Entra o casal número 2: Maduros, elegantes, comemorando bodas de prata. Sentam por ali
Entra um cara com a filha de 7 anos: Sentam um pouco mais longe

O garçon vem, te serve um malbec legal e antes que a garrafa volte pra mesa o cara do casal número 1 surta

– NÃO VOU! NÃO VOU NESSE LUGAR COM VOCÊ! NÃO QUERO E NÃO VOU (murro na mesa)
– GROSSO! (choro)

Climão, putz, que foda. Coisa desagradável. O gerente do restaurante se aproxima, pede que se retirem. O cara sai apressado na frente e a mulher vai saindo de cabeça baixa chorando.
Puxa… que chato. Onde estávamos mesmo? Ah sim, o vinho. Vocês começam falar sobre aquele projeto de ir passear em Mendoza e…

– GUARDA-ME, Ó DEUS PORQUE EM TI CONFIO. A MINHA ALMA DISSE AO SENHOR: TU ÉS MEU SENHOR…

Sim. A senhora que comemora bodas de prata gosta de ouvir salmos no celular. Sem fone. Estão de mãos dadas, unidos em oração.
Só são interrompidos por aquele mesmo gerente, desta vez mais cuidadoso ainda ao lembrar que o ritual pode incomodar os demais. Indignados, ambos se retiram sem pagar a conta citando algum juridiquês sobre liberdade religiosa.

Uma pena, mas essas coisas acontecem. Quebram o clima, mas acontecem. São exceções, a maioria consegue frequentar um lugar desses sem chamar atenção mas sempre tem uns doidos.
A questão com as crianças é que elas não fazem barulho por serem sem noção. Elas fazem barulho porque é da natureza delas. Então seria uma péssima idéia o garçon se aproximar a cada 2 minutos pra lembrar que não é permitido brincar de Super Wings ali no chão! O primeiro pensamento que viria seria exatamente

“Porra, se é pra ficar enchendo o saco então não deixa criança entrar! Criança é assim!”

Justamente. Se um ou outro restaurante quer criar um espaço mais voltado pra casais, elegância e voz baixa, como cuidar de cada abalo provocado por nossos pequenos sem entrar num bate-boca digno de Dona Florinda x Seu Madruga? Melhor mesmo deixar claro que ali não é lugar de criança. Muitas pessoas acham que é um absurdo que não haja compreensão extra pra indivíduos em formação, mas justamente o fato de estarem em formação significa que não estão prontos para qualquer ambiente.
Por motivos distintos, mas não levamos nossas crianças a motéis, filmes de terror e bares de sinuca. Eles não estão prontos! É só isso. Só precisamos exigir o aceite de nossas crianças em locais que já estejam preparados para frequentar. Nada mais.

Ah, a menina que foi jantar com o pai falou baixinho que aquele lugar era muito confuso e a estava deixando nervosa. Saíram de mãos dadas pouco antes dela pedir um sorvete. Exceções.

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2 Replies to “E agora… crianças x restaurantes”

  1. Eu amo sair com meu pirraia e sempre procuro os ambientes projetados para receber crianças.
    Mas amo tb sair sozinha as vezes com o marido. E nessas horas, agradeço a Deus terem restaurantes que não aceitam crianças pra esquecer um pouco esse universo infantil.

  2. Depois que entrei no mundo obscuro das coxias de teatro em concertos de música clássica, pude sentir na pele o que causa um bebê chorão na plateia. Vai além daquele som melancólico que a gente ouve na missa, durante o sermão, ou do barulho irritante da manha na sala de espera do dentista. Tem situações em que isso realmente atrapalha e tem pais que não se tocam (ou não se rendem). Já vi maestro descer do palanque, em silêncio, e permanecer estático olhando em direção ao choro até que ele cessasse de alguma forma. Existem lugares que realmente não admitem pessoas imaturas (veja que isso vale para outros tipos de maturidade).

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